tubiana8_Kevin FrayerGetty Images_solar power Kevin Frayer/Getty Images

A Europa e a China assumem as rédeas do clima

PARIS – No espaço de apenas uma semana, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas deste ano, os representantes do maior mercado único do mundo e da segunda maior economia do mundo colocaram as suas cartas climáticas em cima da mesa. Não é preciso ser um analista de inteligência nacional para analisar os resultados: a União Europeia e a China comprometeram-se a atingir zero emissões líquidas de dióxido de carbono, criando assim um terreno comum para uma cooperação muito mais profunda.

Certamente, estes compromissos precisarão de ser apoiados por políticas concretas. Mas até as palavras transmitem poder. Nem o presidente chinês, Xi Jinping, nem a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, são conhecidos por caírem em exageros ou por fazerem declarações importantes sem deliberação prévia. Se definem uma meta concreta, isso significa que têm alguma noção de como alcançá-la.

Além disso, não será fácil para os 27 estados-membros da UE chegarem a acordo sobre uma meta mais ambiciosa para 2030 que esteja em sintonia com o seu compromisso de atingir zero emissões líquidas até 2050. Os líderes europeus estão bem cientes dos muitos interesses particulares que estão a postos para se opor ao novo objetivo. Nem tão-pouco é fácil para a liderança da China anunciar que atingirá o pico de emissões antes de 2030 e a neutralidade de carbono até 2060. Reorientar uma economia tão grande como a da China não é tarefa fácil. Ainda assim, ambas as potências reconhecem que a realidade das alterações climáticas torna inevitável uma transição económica e que quem agir primeiro terá uma grande vantagem competitiva nas próximas décadas.

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