1

Diagnósticos para a saúde mundial

CORVALLIS, OREGON – Nos países desenvolvidos, a maioria das pessoas tomam por garantido, quando estão doentes, que terão acesso a um diagnóstico e a um tratamento atempados. De facto, embora o processo de diagnóstico - que tipicamente envolve o envio de uma amostra de sangue, de urina ou de tecidos para um laboratório para análise - possa ser incómodo e dispendioso, os prestadores de cuidados de saúde e os laboratórios sofisticados permanecem largamente disponíveis. Como resultado, o peso da doença no mundo desenvolvido tem diminuído substancialmente.

Por outro lado, no mundo em desenvolvimento, milhões de pessoas morrem todos os anos de doenças tratáveis, como a malária, devido à falta de laboratórios sofisticados e de testes diagnóstico alternativos. Mas há razões para ter esperança: os avanços no campo dos microfluídicos têm o potencial de transformar a saúde, ao permitirem que o teste de laboratório “gold standard” seja transferido para o ponto de cuidado (POC).

Erdogan

Whither Turkey?

Sinan Ülgen engages the views of Carl Bildt, Dani Rodrik, Marietje Schaake, and others on the future of one of the world’s most strategically important countries in the aftermath of July’s failed coup.

Um teste POC que forneça um resultado preciso e oportuno daria acesso ao diagnóstico às populações carentes, possibilitando um tratamento mais precoce e ajudando a evitar tratamentos incorrectos (tratar outra doença com sintomas semelhantes). A fim de cumprirem o seu potencial, no entanto, os testes POC devem ter em conta a ampla gama de factores que afectam as aplicações dos cuidados de saúde.

Em primeiro lugar, um teste POC tem de satisfazer as restrições ambientais e de funcionamento em particular de onde será usado. Estas podem incluir uma fonte de energia confiável, condições ambientais adversas ou imprevisíveis, tempo de contacto limitado entre o prestador de cuidados de saúde e o paciente, falta de formação dos utilizadores, coacções graves dos preços e infra-estruturas locais inadequadas, que podem impedir a manutenção e a reparação de instrumentos relevantes.

De facto, os cenários POC podem variar de um prestador de cuidados de saúde semi-formado que trabalha numa clínica com energia eléctrica e acesso a equipamentos de refrigeração, para um indivíduo sem formação num ambiente sem qualquer mecanismo para controlar a temperatura ou a humidade. A fim de garantir uma cobertura o mais ampla possível, os testes POC devem ser projectados para funcionarem nos locais com menos recursos.

Da mesma forma, os testes POC devem ter em conta as necessidades dos diferentes testes para a utilidade clínica. Enquanto o diagnóstico da malária requer apenas um resultado positivo ou negativo, um teste de carga viral de VIH necessitaria de fornecer um resultado classificado a indicar a quantidade de vírus detectado.

Um dos formatos de testes POC mais bem-sucedido é o teste de gravidez bem conhecido, que requer apenas a urina da utilizadora e demora cerca de 15 minutos para fornecer o resultado. Esta classe de “testes rápidos de diagnóstico” (RDT), que também são utilizados para doenças infecciosas como a malária e o VIH, satisfaz muitos dos requisitos fundamentais para as aplicações globais de saúde: eles são rápidos e de baixo custo, podem ser realizados facilmente por um utilizador sem formação e não necessitam de refrigeração. Mas não têm a sensibilidade para fornecer informação do diagnóstico adequado para muitas condições de saúde.

Diante disto, os investigadores estão a trabalhar para desenvolverem testes mais sofisticados com base em papel. Por exemplo, uma nova classe de dispositivos, acerca da dimensão de um selo de correio, que divide uma amostra em várias zonas com diferentes químicos de detecção, foi usada para testar várias condições associadas à insuficiência do fígado em pacientes com VIH e tuberculose. E os dispositivos da “rede de papel” incluem mecanismos reguladores integrados para permitir testes automatizados multi-passo, como os utilizados nos laboratórios, mas em formato descartável.

Outro mecanismo para expandir as capacidades de testes de diagnóstico iria beneficiar com a penetração das redes de telemóveis nos países em desenvolvimento. Os RDT estão amplamente limitados às aplicações que exigem interpretação visual. Um telemóvel não específico pode ser usado para capturar e enviar os dados de imagem a partir de um RDT para um sítio remoto, onde um profissional de saúde iria fornecer o feedback em relação aos resultados.

Mas a implementação desse programa levanta um conjunto novo de desafios. A fim de garantir resultados precisos, a variabilidade do posicionamento da câmara pelo utilizador e as condições de iluminação em diferentes ambientes de teste devem ser abordadas. (Uma abordagem promissora em desenvolvimento iria usar um adaptador para ligar o telemóvel não específico ao RDT).

Além disso, um teste com base no telefone exigiria que as infra-estruturas do software, tais como protocolos de comunicação e procedimentos de priorização, se fundissem com o sistema de saúde. E os problemas de compatibilidade levantados pela grande variedade de aparelhos de telemóveis teriam de ser abordados.

Support Project Syndicate’s mission

Project Syndicate needs your help to provide readers everywhere equal access to the ideas and debates shaping their lives.

Learn more

Por fim, o uso eficaz de testes baseados em telefones não específicos exigiria a aceitação do sistema médico. A recente aprovação da Food and Drug Administration dos EUA de vários dispositivos médicos, suportados por leitores dedicados que se baseiam no telefone, é um passo promissor.

Testes POC eficazes estão a ser desenvolvidos; a proliferação de telemóveis aumentará ainda mais as capacidades destes testes. Estas capacidades emergentes prometem ampliar o alcance dos diagnósticos de alta qualidade até às populações remotas, melhorar a gestão da saúde e reduzir os custos de cuidados de saúde em todo o lado.