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Ilhas de isolamento

PARIS - Os japoneses e os britânicos podem parecer muito diferentes, mas um olhar mais atento revela algo semelhante a um destino paralelo para estes dois povos insulares. Com as suas antigas ambições imperiais e uma aversão generalizada aos grandes continentes de que estão separados por estreitas extensões de água, os britânicos e os japoneses são vulneráveis ao “canto da sereia” do isolacionismo. Infelizmente, ambos parecem estar actualmente a sucumbir a essa tentação perigosa.

Talvez a geografia seja o destino. Como ilhéus, os britânicos e os japoneses foram cautelosos - e manifestaram muitas vezes um sentimento de superioridade - na sua relação com os grandes vizinhos continentais, a Europa e a China, respectivamente. Ambos foram historicamente compensados ​​pelo seu isolamento, através de fortes governos centrais, uma marinha poderosa, uma dinâmica empresarial, uma cultura vibrante e uma ambição imperial.

Hoje, o Japão e o Reino Unido fingem ser sociedades abertas e ser intervenientes no processo de globalização. Na realidade, ambos continuam demasiadamente fechados ao exterior e preocupados com a desintegração da sua cultura original. Ambos tentam desesperadamente controlar a imigração, quer através da segregação cultural no Reino Unido ou, no caso do Japão, através da simples rejeição. Quanto mais as civilizações se interligam na nova ordem mundial, mais os japoneses e os britânicos se sentem tentados a permanecer alheados e afastados.

No Japão, a tentação isolacionista é expressa através do actual sentimento de nostalgia pelo período Edo, 1600-1868, antes de o Imperador Meiji ter aberto o Japão ao mundo. "O Regresso ao Edo" tornou-se o estado de espírito dominante e tema de debates públicos promovidos por escritores, especialistas e historiadores como Inose Naoki (que também é Vice-Governador de Tóquio), que argumentam que os japoneses eram muito mais felizes no seu mundo fechado, abençoadamente isolado da procura de sucesso material e estatuto internacional.