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O Triunfo da Política na Europa

MADRID - A Economia, especialmente as teorias económicas, acabam sempre por ceder aos imperativos políticos. É por isso que a rápida transformação do quadro político europeu, modificado por revoltas eleitorais em França e na Grécia contra a austeridade fiscal apoiada pela Alemanha, está destinada a afectar as políticas económicas da Europa também.

Este imperativo tem estado em acção ao longo de toda a história do pós-guerra da Europa. Na verdade, a própria transformação da Europa, que passou de uma modesta união aduaneira da Comunidade Económica Europeia ao mercado único e moeda comum que constituem a actual União Monetária Europeia, constituiu uma manobra fundamentalmente política, com implicações estratégicas, evidentemente. A França quis domar o poder alemão associando-o ao projecto europeu e a Alemanha estava preparada para sacrificar o Marco alemão para que a França aceitasse uma Alemanha unida, o pesadelo do passado recente da Europa.

É, sem dúvida, vital para o projecto europeu que a Alemanha esteja economicamente forte, nem que seja porque a história já demonstrou os perigos subjacentes a uma Alemanha descontente. Na verdade, foi graças ao euro - e ao mercado cativo europeu que o acompanha - que a Alemanha se tornou no segundo principal país exportador do mundo (foi ultrapassada pela China em 2009).

No entanto, a Europa sempre teve dificuldade em aceitar uma Alemanha demasiado confiante, e menos ainda arrogante. A actual instabilidade política na Europa é um sinal de que, por mais sensatas que sejam em termos abstractos as medidas de austeridade da Chanceler Angela Merkel para a periferia europeia, estas assemelham-se a um Diktat alemão. Para muitos a preocupação não é apenas o histórico "problema alemão" da Europa, mas também a possibilidade da Alemanha vir a exportar para o resto da Europa os mesmos fantasmas de políticas radicais e nacionalismo violento que o triunfo económico do país transpôs a nível interno.