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A prisão norte-americana dos mortos-vivos

NOVA IORQUE – Porquê acrescentar alguma coisa a algo que não é suposto existir?

O que está em questão é a prisão dos Estados Unidos na Baía de Guantánamo, para a qual o Pentágono pediu recentemente 49 milhões de dólares em financiamento extra. Apesar da promessa de Barack Obama em 2009 - uma das suas primeiras, na qualidade de Presidente - de encerrar a “Gitmo”, é evidente que os EUA não têm a menor intenção de o fazer em breve. Na verdade, a única coisa relacionada com a prisão de Guantánamo que a administração Obama encerrou foi o gabinete do enviado especial, Daniel Fried, que estava encarregado do seu encerramento. O departamento de Estado dos EUA reatribuiu o cargo a Fried, no passado mês de Janeiro, e ele não será substituído.

De que melhor forma se poderá comemorar essa decisão a não ser com um boom de construção na prisão? A nova unidade, para a qual o dinheiro está destinado, irá albergar 106 presos (o número exacto é incerto), que ainda não foram nem julgados nem acusados.

Oito dos prisioneiros estão agora a entrar no segundo mês de uma greve de fome. De acordo com o porta-voz do Comando Sul dos EUA, que supervisiona a “Gitmo”, os grevistas estão desiludidos porque acreditavam na promessa de Obama de encerrar a prisão de Guantánamo. Na verdade, eles estão prontos para sair, e é apenas o fracasso de Obama em manter a sua promessa - e o fracasso do Congresso dos EUA em legislar as suas transferências - que os têm mantido lá. E, neste momento, eles sentem que a única maneira de chamar a atenção do mundo é “fazer algo drástico”.