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O Egipto, no pensamento da Jordânia

AMÃ - O comportamento da corte real da Jordânia, nos dias que se seguiram ao anúncio oficial da vitória do membro da Irmandade Muçulmana, Mohamed Morsi, nas eleições presidenciais do Egipto, mostra uma história que dá que pensar. Inicialmente, o rei da Jordânia, Abdullah II, hesitou em assinar a tão almejada lei eleitoral. A isto, seguiu-se a aprovação da lei, o pedido da sua revisão e um encontro oficial de surpresa com o líder do Hamas.

Durante o ano passado, o rei Abdullah esteve inflexível na questão de que os jordanos devem votar em eleições livres e justas até ao final de 2012. Foram aprovadas alterações constitucionais. Foi criada por lei uma comissão eleitoral independente. E um respeitado jurista jordano, que tinha sido juiz no Tribunal Internacional de Justiça, foi repreendido por ter “arrastado os pés” na obtenção da aprovação da lei eleitoral.

Então, porque é que o rei esperou quatro dias, depois de as duas Câmaras do Parlamento terem aprovado a lei, para assinar; e por que é que solicitou logo alterações?

A lei, que estabelece um amplo sistema maioritário em grande parte baseado em distritos com um único representante, com apenas 17 dos 140 lugares do Parlamento a serem eleitos, de acordo com as listas partidárias nacionais, foi aprovada pelo Senado da Jordânia poucas horas antes da comissão eleitoral independente do Egipto ter declarado Morsi o vencedor. As pessoas com quem falei, do Governo e no palácio da Jordânia, dizem que eles foram induzidos a acreditarque o cargo iria para o último primeiro-ministro de Mubarak, Ahmed Shafiq.