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A Segunda Ronda do Debate sobre a Contenção

PARIS – No início da Guerra Fria, houve intensos debates nos Estados Unidos entre aqueles que queriam conter o comunismo e os que queriam revertê-lo. Era suficiente impor limites às ambições da União Soviética, ou seria necessária uma postura mais agressiva, por vezes descrita como “contenção adicional”?

A recente discussão entre o Presidente dos EUA, Barack Obama, e a sua antiga secretária de estado (e possível sucessora), Hillary Clinton, parece ter revivido esse debate. Mas serão os seus termos de referência úteis hoje, quando o Ocidente enfrenta os desafios simultâneos do Estado Islâmico no Médio Oriente e de uma Rússia revisionista? Terão os líderes Ocidentais razão em assumir que os dois desafios são distintos, e que a contenção será suficiente no caso da Rússia, sendo a reversão absolutamente necessária no caso do Estado Islâmico?

O que se pensa, é que o Ocidente precisa da Rússia tanto quanto a Rússia precisa do Ocidente, enquanto ninguém (para dizer o mínimo) precisa de um santuário para fanáticos Islâmicos no coração do Médio Oriente. É por isso que a Rússia deve ser persuadida a alterar a sua rota através de uma combinação de sanções económicas, unidade estratégica, e compromisso diplomático; pelo contrário, as ambições do Estado Islâmico não podem ser contidas, e devem portanto ser suprimidas.

Mas o Ocidente precisa de repensar a sua estratégia, porque os dois desafios não são completamente distintos. Se, há um ano, Obama não tivesse falhado no estabelecimento da sua “linha vermelha” para armas químicas na Síria, após um ataque a um subúrbio de Damasco, o Presidente Russo Vladimir Putin provavelmente não teria sido tão ousado como foi na Ucrânia. Do mesmo modo, apoiar os Curdos no confronto com o Estado Islâmico poderia enviar a mensagem certa ao Kremlin.