22

Para além do homo economicus

LEIPZIG – A humanidade enfrenta actualmente inúmeros desafios globais, onde se incluem alterações climáticas, esgotamento de recursos, crise financeira, educação deficiente, pobreza generalizada e insegurança alimentar. Mas, embora sejam devastadoras as consequências resultantes de um fracasso em resolver estas questões, não nos temos revelado à altura das circunstâncias.

Quer as economias afectadas pela crise, quer as economias prósperas não estão a conseguir eliminar a pobreza, melhorar a prestação de serviços públicos como a educação, nem manter e repartir bens colectivos, tais como populações de peixes e florestas tropicais, de forma eficaz e equitativa. Ao mesmo tempo, as sociedades estão cada vez mais fragmentadas, notando-se um aumento da solidão e de doenças relacionadas com o stress. E as estruturas de governação existentes são insuficientes para melhorar a situação.

É nitidamente necessária uma nova abordagem. Mas o desenvolvimento de mecanismos eficazes para fazer face aos grandes desafios partilhados deve começar por uma mudança fundamental na forma como são entendidos a motivação e o conhecimento humanos.

O conceito de homo economicus, que afirma que os seres humanos são intervenientes racionais que tomam decisões com base num egocentrismo redutor, tem dominado o pensamento político e económico desde a década de 1970. Contudo, embora a busca pelo interesse próprio possa ser vantajosa em certos contextos, não constitui o único, nem mesmo o principal impulsionador do comportamento humano - e não é favorável à superação das questões globais actualmente mais prementes.