50

Fartos da Fed

NOVA IORQUE – No final de cada mês de agosto, os banqueiros centrais e financeiros de todo o mundo reúnem-se em Jackson Hole, Wyoming, para o simpósio económico da Reserva Federal dos EUA. Este ano, os participantes foram saudados por um grande grupo de pessoas, na maioria jovens, incluindo muitos afro e hispano-americanos.

O grupo não estava lá tanto para protestar, mas sim para informar. Queriam que os governantes reunidos soubessem que as suas decisões afetam as pessoas comuns e não apenas os financeiros que estão preocupados com o que a inflação faz ao valor das suas obrigações ou o que os aumentos das taxas de juro podem fazer às suas carteiras de ações. E as suas t-shirts verdes exibiam a mensagem de que para estes americanos, não houve nenhuma recuperação.

Mesmo agora, sete anos depois de a crise financeira global ter provocado a Grande Recessão, o desemprego “oficial” entre os afro-americanos é de mais de 9%. De acordo com uma definição mais ampla (e mais apropriada), que inclui trabalhadores a tempo parcial, que procuram empregos a tempo inteiro, e trabalhadores marginalmente ativos, a  taxa de desemprego para os Estados Unidos como um todo é de 10,3%. Mas, para os afro-americanos - especialmente os jovens - a taxa é muito maior. Por exemplo, para os afro-americanos com idades entre os 17 e os 20 anos, que completaram o ensino secundário, mas não se inscreveram na faculdade, a taxa de desemprego é superior a 50%. O “défice de postos de trabalho” - a diferença entre o emprego que há hoje e o que deveria haver - é de cerca de três milhões.

Com tantas pessoas desempregadas, a pressão sobre os salários também está a aparecer nas estatísticas oficiais. Até à data, os salários reais dos trabalhadores não ligados à inspeção ou à fiscalização caíram quase 0,5%. Esta é parte de uma tendência a longo prazo que explica o porquê de o rendimento médio das famílias ser mais baixo hoje, do que era há 25 anos.