5

A China e o Sonho Americano

PARIS – A China poderá estar apenas a alguns anos de tornar-se a principal potência económica do mundo e a centralidade estratégica dos EUA poderá estar em declínio (de facto, actualmente ninguém se refere aos Estados Unidos como a "hiperpotência" mundial). Mas a América ainda faz as pessoas sonharem e a sua influência emocional no mundo continua a ser única.

Neste sentido, a semana passada trouxe duas vitórias: não apenas a de Barack Obama sobre o candidato republicano, Mitt Romney, nas eleições presidenciais, mas também a vitória do sistema democrático americano sobre o autoritarismo unipartidário da China. Algumas frases do discurso de vitória de Obama - o espaço de um momento mágico - foram dedicadas à celebração do "mistério da democracia" de forma muito concreta, mas também de um modo quase religioso.

Obama encontrou as palavras certas para prestar homenagem à multidão de cidadãos anónimos que andava de porta em porta a convencer os seus concidadãos americanos a votarem nos seus candidatos preferidos. Obama estava a descrever a democracia no seu melhor, naquilo que de mais nobre tem, tal como deveria ser, mas nem sempre é: homens e mulheres livremente mobilizados, capazes de e dispostos a mudar o rumo do seu destino.

Naquele momento, ainda que breve, o "poder brando" da América derrotou o da China, que menos de um dia depois, abriu solenemente - e de uma maneira extremamente opaca - o 18 º Congresso do Partido Comunista Chinês. Milhões de pessoas em todo o mundo prefeririam vivenciar uma noite de eleições como a da América, ao invés de se tornarem parte dos planos a longo prazo da China.