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Economia de acesso aberto

CAMBERRA – A confusão que se gerou à volta do artigo de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff “Growth in a Time of Debt” pode ser a controvérsia académica mais intempestiva e conspícua desde 1974, quando dois economistas anteriores, Robert Fogel e Stanley Engerman, publicaram o conhecido livro, Time on the Cross, onde defendiam a eficiência da escravatura americana.

Tal como aconteceu com o Time on the Cross, a controvérsia Reinhart/Rogoff, embora aparentemente decorrente dos procedimentos estatísticos dos autores, está realmente enraizada nos propósitos para os quais os outros colocam o seu estudo.

Alguns dos resultados apresentados por Fogel e Engerman foram utilizados - e não pelos próprios autores, importa referir - para desafiar a acção afirmativa e questionar o movimento dos direitos civis. Da mesma forma, alguns dos resultados relatados por Reinhart e Rogoff têm sido utilizados pelos políticos e outros para justificarem a austeridade fiscal.

Quando os problemas com a análise de Reinhart/Rogoff vieram à tona, os críticos ficaram perplexos. Os autores omitiram dados inadvertidamente, utilizaram um esquema de ponderação questionável e empregaram uma observação errónea sobre o crescimento do PIB.