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A Tragédia Balcânica da Síria

BERLIM – As doutrinas pacifistas poderão afirmar o contrário, mas combinar a diplomacia com a ameaça da força militar é uma táctica altamente eficaz, como se viu agora na Síria. Foi a credibilidade da ameaça de intervenção militar pelos Estados Unidos que pareceu levar o Presidente Sírio Bashar al-Assad a aceitar um acordo mediado pelos seus principais aliados, a Rússia e, menos directamente, o Irão. Assad parece agora preparado para desistir das suas armas químicas em troca da sua permanência no poder. Mas o que acontecerá à credibilidade da América, e à do Ocidente, se o acordo não for respeitado?

O acordo conseguido pelos EUA e pela Rússia provocou um alívio geral na maior parte das capitais Ocidentais, onde os líderes políticos simplesmente não estão preparados para uma intervenção militar, mesmo que o governo da Síria esteja a assassinar o seu próprio povo com gás venenoso (a este respeito, o acordo equivale a uma confissão por parte de Assad). Depois de uma década de guerra no Afeganistão e no Iraque, o Ocidente preferiria ficar em casa; nem os EUA nem o Reino Unido – nem a maior parte dos outros membros da NATO – pretendem envolver-se num outro conflito no Médio Oriente que não pode ser resolvido.

Na verdade, só existem más opções para os EUA na Síria. A intervenção militar não tem um ponto final visível e apenas aumentaria o caos. Mas permanecer à margem produzirá quase o mesmo resultado e abalará dramaticamente a credibilidade da América numa região assolada pela crise, com consequências sérias para o futuro. Além disso, a utilização de armas químicas convida à escalada.

A maior parte das pessoas no Ocidente encaram a guerra civil Síria como uma continuação da violência sectária no Iraque. Mas a Síria não é o Iraque. O presidente da América não está à procura de desculpas para começar uma guerra; as armas químicas de Assad não são um pretexto extravagante. A escala da violência na Síria sublinha o risco implicado pela inacção.