jpatel1_Mahmoud HjajAnadolu Agency via Getty Images_sudan Mahmoud Hjaj/Anadolu Agency via Getty Images

O que a morte de Yevgeny Prigozhin significa para África

LONDRES – A morte recente do líder do Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, e de vários dos seus principais tenentes num acidente de avião a norte de Moscovo terá provavelmente implicações de grande alcance para África, onde a empresa militar privada estabeleceu uma presença significativa nos últimos anos. Afinal, se o presidente russo, Vladimir Putin, for responsável pela morte de Prigozhin, como muitos suspeitam, os líderes africanos que vincularam os seus sucessos políticos ao grupo Wagner têm de se interrogar sobre a credibilidade das promessas que Prigozhin lhes fez.

Os laços militares entre o Kremlin, o Wagner e os governos africanos sempre estiveram envoltos em incerteza. Mas a morte de Prigozhin e do cofundador do Wagner, Dmitry Utkin, presumivelmente orquestrada por Putin como castigo pela breve insubordinação de Prigozhin em junho, aumentou os riscos enfrentados pelos líderes africanos que confiaram no exército mercenário do Wagner para reforçar o seu poder.

O senhor da guerra sudanês, Mohamed Hamdan Dagalo, geralmente conhecido por Hemedti, é um exemplo disso mesmo. Hemedti, o comandante do grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (FAR), passou anos a cultivar uma relação com Prigozhin. Mas com a morte de Prigozhin e o futuro incerto do Wagner, o fornecimento de armas às FAR será provavelmente interrompido, o que poderá alterar o equilíbrio dos poderes entre as FAR e as Forças Armadas Sudanesas. Esta mudança surge numa altura precária para Hemedti, cuja candidatura à liderança do país parece estar a vacilar.

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