Paul Lachine

Mesquita ou modernidade?

PARIS – O que é que aconteceu à “Primavera Árabe”? Quando as manifestações eclodiram na Tunísia, no Egipto e na Líbia, que culminaram com o fracasso de três ditaduras velhas e cansativas, ninguém sabia que forças, instituições e procedimentos iriam surgir da exigência dos manifestantes pela democracia. E, no entanto, apesar da natureza sem precedentes e imprevisível dos acontecimentos - ou talvez por causa dela - a esperança manteve-se elevada.

O que aconteceu desde então mostra claramente o que toda a gente sabia (ou deveria saber) o tempo todo: nada sobre a mudança de regime é simples. Nenhum dos três países encontrou ainda uma solução institucional estável que consiga neutralizar as tensões internas, que se intensificam cada vez mais, e responder eficazmente às exigências populares.

Outros países da região, incluindo o Iémen e alguns dos estados do Golfo, também vivenciaram diferentes graus de turbulência. A violência sectária está mais uma vez a consumir o Iraque, enquanto os confrontos entre as facções anti-regime na Síria tornam-se cada vez mais frequentes, com os islamistas a procurarem ganhar vantagem à frente da transição política que ocorreria se o governo caísse. Até mesmo em Marrocos, um rei com poder absoluto como Comandante dos Fiéis foi forçado, por uma intensa indignação pública, a caminhar em direcção a um sistema mais inclusivo em relação ao Islão político.

To continue reading, please log in or enter your email address.

To continue reading, please log in or register now. After entering your email, you'll have access to two free articles every month. For unlimited access to Project Syndicate, subscribe now.

required

By proceeding, you are agreeing to our Terms and Conditions.

Log in

http://prosyn.org/aAKe2o5/pt;

Cookies and Privacy

We use cookies to improve your experience on our website. To find out more, read our updated cookie policy and privacy policy.