Vincent Brassinne/Flickr

A geografia de valores da Europa

PARIS – Qual deverá ser a resposta da Europa perante a reafirmação da tradição imperial russa e os métodos enganosos e reflexos do passado soviético? Deverá dar prioridade ao “valor da geografia” ou à “geografia de valores”?

Quem escolher a primeira via irá fazê-lo em nome do “realismo energético” de curto prazo, argumentando que é fundamental para se chegar a um acordo com a Rússia, porque a Europa não tem o gás de xisto e o petróleo dos EUA. De acordo com este raciocínio, os Estados Unidos podem viver sem a Rússia, mas a Europa não.

Além disso, para os realistas, a conduta desafiante dos EUA relativamente aos seus aliados mais antigos e fiéis – bastante evidente nos recentes escândalos associados à vigilância que envolvem a Agência de Segurança Nacional - desacreditou a própria ideia de uma “comunidade de valores”. Se os Estados Unidos já não respeitam os valores que professam, por que razão deverá a União Europeia perder a boa vontade do Kremlin em prol da sua defesa?

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