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Realismo sobre a Coreia do Norte

BERLIM – A tarefa que o mundo enfrenta, ao lidar com as ameaças de guerra da Coreia do Norte, não é facilitada por se tratar de um confronto com um país empobrecido e efectivamente derrotado. Pelo contrário, é em tais circunstâncias que é mais necessária uma prudência calma.

O génio do Príncipe Klemen von Metternich do Império dos Habsburgos, ao definir uma nova ordem internacional após as Guerras Napoleónicas, consistiu em não empurrar para um canto uma França derrotada. Apesar de Metternich ter procurado impedir qualquer possível ressurgimento Francês, restabeleceu as fronteiras da França anteriores à guerra.

Pelo contrário, como Henry Kissinger argumentou, os vencedores da I Guerra Mundial não podiam nem reprimir uma Alemanha derrotada nem fornecer-lhe incentivos para aceitar o Tratado de Versalhes. Em vez disso, impuseram condições duras, esperando enfraquecer a Alemanha de modo permanente. Sabe-se como esse plano terminou.

John F. Kennedy adaptava-se ao molde de Metternich. Durante a crise dos mísseis de Cuba, não tentou humilhar ou conseguir uma vitória total sobre a União Soviética. Ao invés, pôs-se no lugar de Nikita Khrushchev e concordou em desmantelar, secretamente, mísseis Americanos na Turquia e na Itália em troca da retirada dos misseis Soviéticos de Cuba. O pragmatismo de Kennedy evitou uma III Guerra Mundial.