Wednesday, October 22, 2014
1

A necessidade da NATO

BRUXELAS - Há muitos anos, levei os meus filhos a visitar os locais do desembarque do Dia-D na Normandia. Queria que entendessem quais foram os sacrifícios que outros tiveram que fazer para que a Europa e a América do Norte pudessem desfrutar os benefícios da vida, a liberdade e a procura da felicidade. Vimos as praias cujos nomes ecoam através da história - Omaha, Utah, Juno. Essas praias continuam a ser um memorial à ideia de que, juntos, podemos superar qualquer ameaça, não importa quão grande seja.

Nós percebemos o futuro que se poderia ter abatido não só sobre a Europa, mas sobre o mundo inteiro, caso a América do Norte não tivesse ajudado a Europa na sua hora de necessidade. E sabemos que esse desembarque criou um vínculo único entre os nossos continentes.

Esse vínculo continua a ser vital para a preservação dos nossos valores e da nossa segurança. Mas, após a Guerra Fria, muitos acharam que a sua corporização institucional - a Organização do Tratado do Atlântico Norte - desapareceria. Não desapareceu, porque o nosso vínculo é baseado não apenas em ameaças comuns, mas em ideais partilhados. A possibilidade de desaparecer é idêntica à possibilidade do nosso desejo de liberdade poder diminuir. A NATO não precisava de razões externas para existir. Contudo, a história fornecer-lhas-ia em breve.

Na Bósnia e no Kosovo, a NATO interveio para acabar com violações dos direitos humanos em massa. Na Líbia, aplicámos uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas para proteger os civis. E no Afeganistão, estamos a negar um porto seguro aos extremistas.

A Aliança evoluiu para uma verdadeira organização de gestão de segurança que é flexível, eficiente e rentável. As ameaças mudaram, e tornaram-se mais globais, e nós mudámos para irmos ao seu encontro.

A NATO está a desenvolver uma capacidade de defesa contra mísseis balísticos para proteger as nossas populações e o nosso território europeus contra uma ameaça grave e crescente. No Oceano Índico, a NATO está a trabalhar com a União Europeia, e com muitos outros, para policiar as maiores rotas marítimas ameaçadas por piratas. E, em vários países do mundo, realizam-se tarefas, tais como a desminagem, o auxílio em caso de catástrofes, o aconselhamento sobre como trazer as forças militares sob controlo democrático e o trabalho em estreita colaboração com as Nações Unidas para evitar danos às crianças.

Esforços como estes podem não dar títulos aos jornais. Mas a segurança é como a saúde - só se dá importância quando surge o pior. É por isso que o seguro é necessário. E a NATO é o seguro de segurança social mais sólido que o mundo tem. Subscrito por 28 membros, proporcionou benefícios de segurança a todos os aliados, ano após ano, por mais de seis décadas.

Este fim-de-semana em Chicago, representantes de aproximadamente 60 Estados-Membros, países parceiros e organizações internacionais, reunir-se-ão na mais recente Cimeira da NATO, a maior na história da Aliança, a fim de resolverem algumas das maiores questões de segurança do nosso tempo.

Os nossos debates centrar-se-ão sobre três questões: a transição para a plena responsabilidade de segurança do Afeganistão, o desenvolvimento contínuo das capacidades militares dos aliados e a rede global de parcerias da NATO.

Em primeiro lugar, reafirmaremos o nosso compromisso com a segurança e com a estabilidade no Afeganistão. Ao longo dos próximos meses, o nosso papel passará do combate para a formação e aconselhamento. E, no final de 2014, os afegãos terão total responsabilidade pela sua própria segurança.

Em segundo lugar, uma vez que o nosso envolvimento militar no Afeganistão se encontra na sua fase final, temos de olhar em frente e desenvolver novos recursos para uma nova era. Numa altura em que os orçamentos de defesa estão a ser cortados em toda a Aliança, isto requer uma nova abordagem.

Ao trabalharmos em conjunto para maximizar os nossos bens e os nossos recursos, podemos fazer mais com o que temos. Esta é a essência da “Defesa Inteligente”. Em Chicago, os aliados comprometer-se-ão nesta abordagem como uma estratégia de longo prazo para melhorar as capacidades da NATO.

Em último lugar, as parcerias figurarão proeminentemente na ordem do dia, em Chicago. Ao longo dos últimos 20 anos, a NATO criou uma rede de parcerias de segurança com países de todo o mundo. Ao contrário dos aliados, os parceiros não estão abrangidos pelo artigo 5º, a cláusula de defesa colectiva do Tratado do Atlântico Norte. Mas as ameaças transnacionais exigem soluções multinacionais e as nossas parcerias ajudam-nos a enfrentar os desafios comuns.

A NATO mantém consultas regulares com todos os nossos parceiros. A Aliança ajuda os parceiros interessados com a reforma da defesa. E muitos dos nossos parceiros trazem recursos e conhecimentos valiosos para as nossas operações.

Comecei por assinalar a minha identificação pessoal com o vínculo entre a Europa e a América do Norte. Mas esta ligação é mais profunda do que imagina. Chicago tem sido a casa de muitos imigrantes europeus. O meu filho vive em Illinois, não muito longe de Chicago, com a sua esposa e dois filhos. Dos meus quatro netos, dois são europeus e dois são norte-americanos.

Quando eu penso nas razões para preservar a nossa ligação transatlântica para as gerações futuras, não penso na minha segurança. Penso na deles. E essa é a única razão que preciso.

Tradução: Deolinda Esteves

Hide Comments Hide Comments Read Comments (1)

Please login or register to post a comment

  1. CommentedCarol Maczinsky

    What a deep misfortune for you that your grandchildren took the nationality of another state. Would they even learn Danish and care about the national pride of their ancestors?

Featured