O caminho acidentado de Obama para o sucesso na Síria

NOVA IORQUE – Diz-me a experiência que, quando uma pessoa é atacada pela sua diplomacia tanto por parte da esquerda como da direita, quer por pombas e falcões, quer por internacionalistas e isolacionistas, isso significa que, provavelmente, está no caminho certo. Na avalanche de comentários proferidos a respeito do acordo, celebrado este mês, entre os EUA e a Rússia sobre as armas químicas da Síria, poucos estavam dispostos a considerá-lo como uma "vitória tripla" para os Estados Unidos, para a Rússia e para o povo sírio. Mas - pelo menos até ao momento - é disso que se trata. Grande parte do mérito cabe ao Presidente Barack Obama e à sua equipa, embora tenham cometido alguns erros.

O registo de acusações a Obama sobre questões relacionadas com a Síria é extenso. Diz-se que os EUA não empreenderam qualquer acção decisiva enquanto 100 mil sírios morriam e que não dispunham de uma estratégia para pôr termo ao conflito. Obama criou a expectativa de que os EUA iriam agir caso fossem utilizadas armas químicas, permanecendo, contudo, inactivo quando chegou o momento de agir. Então, quando se tornou inevitável dar uma resposta, as suas ameaças de recurso à força militar foram ora excessivas, ora insuficientes. No que se refere à intervenção, dedicou, primeiro, muito pouca e depois demasiada atenção à oposição interna. Acima de tudo, permitiu que o Kremlin, sempre cínico, obtivesse uma vitória diplomática sobre os EUA.

Contudo, tenham-se em conta as restrições. Em momento algum durante a crise, até surgir a questão das armas químicas, se considerou que qualquer forma de intervenção militar por parte dos EUA pudesse salvar mais vidas do que aquelas que poderia pôr em perigo. A influência crescente dos jihadistas nas fileiras rebeldes tornou cada vez mais insustentável o apoio a uma vitória retumbante da oposição. Não havia simplesmente provas suficientes de que o Presidente sírio, Bashar Al-Assad, estivesse a utilizar armas químicas, pelo menos antes do massacre de Agosto em Ghouta, para permitir pressionar a Rússia - tanto no Conselho de Segurança das Nações Unidas como no tribunal da opinião pública mundial - a reconsiderar o seu apoio irreflexo ao regime.

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