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Uma conversação que pode sarar a Síria

LONDRES – A proposta dos Estados Unidos e da Rússia de realizar uma conferência diplomática para acabar com a carnificina na Síria merece uma reacção menos céptica do que a que tem recebido. Embora seja difícil conseguir levar brevemente todas as partes relevantes para a mesa de negociações, em Genebra, e muito menos garantir um resultado que irá perdurar, a verdade é que a diplomacia é a única jogada que resta. Por muito que se deseje algo diferente, todas as outras opções políticas discutidas, até agora, estão erradas quanto ao princípio, são inviáveis na prática, é pouco provável que sejam eficazes ou são susceptíveis de aumentarem em vez de diminuírem o sofrimento.

Após dois anos de guerra civil, com nenhuma vitória militar decisiva à vista em nenhum dos lados, a situação não poderia ser mais desesperante. De acordo com as actuais estimativas das Nações Unidas, já morreram mais de 80 mil sírios e 6,8 milhões - um terço da população do país - necessitam de assistência humanitária urgente. Cerca de 4,25 milhões estão deslocados internamente e mais de 1,5 milhões fugiram do país e foram acolhidos como refugiados, principalmente no Líbano, na Jordânia e na Turquia.

A pressão sobre os vizinhos da Síria é imensa e o conflito está inexoravelmente a infiltrar-se em toda a região. Tanto as forças governamentais como os rebeldes cometeram crimes hediondos. Temem-se muitos mais à medida que a violência entre os principais grupos sectários agrava-se.

A paralisia internacional contínua é indefensável. A inacção iria inflamar os ânimos em todo o Médio Oriente e violar a agora aceite responsabilidade de proteger, através da acção colectiva oportuna e decisiva, e por parte da comunidade internacional, as populações em risco de genocídio, de limpeza étnica e de outros principais crimes contra a humanidade e crimes de guerra.