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A diplomacia e os duplos padrões

CAMBERRA – Desde quando é que a cautela diplomática e o realismo adequados se tornaram na indefensável abdicação dos padrões morais? Nem todos os que estão na linha da frente da política externa se preocupam, mas aqueles que o fazem enfrentam, muitas vezes, escolhas profundamente desconfortáveis.

Negociar uma paz para salvar vidas, pode significar conceder amnistia ao culpado sanguinário. Viver com a tirania pode oferecer menos riscos de vida do que abraçar a anarquia. Acalmar uma situação volátil pode significar não denunciar publicamente um comportamento que clama pela condenação. Fazer a escolha certa é mais difícil no mundo real do que dentro de uma sala de aula de filosofia.

Mas às vezes a linha é realmente atravessada, todos os intervenientes relevantes sabem disso, e as consequências são potencialmente profundas.A incapacidade dos Estados Unidos até agora para deixar de fornecer a sua ajuda militar ao Egipto, em resposta ao massacre de centenas de simpatizantes da Irmandade Muçulmana por parte do regime, nas ruas e nas prisões, é o caso recente mais claro que se podia encontrar.

O governo do ex-presidente Mohamed Morsi foi um fracasso catastrófico - impiedosamente ideológico, economicamente analfabeto e constitucionalmente irresponsável. Polarizou profundamente o anseio da sociedade por uma nova inclusão. Mas, se o exército contivesse a sua coragem - e os seus gatilhos - há todas as razões para acreditar que Morsi teria sido destituído por votação nas próximas eleições. Se a Irmandade Muçulmana rejeitasse a votação ou recusasse aceitar a derrota, então medidas mais duras poderiam ter sido contempladas. No ponto em que as coisas estão, o golpe militar era indefensável e a sua matança de manifestantes, na sua maioria desarmados, equipara-se em infâmia ao massacre da Praça Tiananmen, em 1989, ao do ex-líder da Líbia, Muammar Khadafi e aos de Hafez e de Bashar al-Assad da Síria.