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O Significado da Síria

NOVA DELI – O tormento da Síria deu origem a uma série de respostas infrutíferas: a condenação verbal dos excessos do regime do presidente Bashar al-Assad; as divergências sobre a sensatez de uma intervenção armada e toda a confusão a respeito da possibilidade de se encontrar uma solução alternativa viável a longo prazo. Pior, nesta triste conjuntura, o mundo pode vislumbrar um futuro muito feio.

Em primeiro lugar, tentemos desenlear parte do emaranhado de ironias e contradições que estão a dificultar os esforços para acabar com a violência na Síria. Apesar de negar liberdade política aos seus cidadãos, no que diz respeito à liberdade social a Síria é bastante mais tolerante do que muitos outros países árabes, especialmente a Arábia Saudita, que lidera a investida para derrubar Assad. Governada por uma minoria de alauitas (uma seita xiita), a Síria alberga um conjunto de grupos diferentes: árabes, arménios, cristãos, curdos, drusos, ismaelitas, e beduínos.

Esta tolerância relativamente à diversidade cultural e religiosa poderá ser ameaçada se uma revolta de inspiração sunita tomar conta do país. E é por isso que a Síria gera simultaneamente revolta contra as atrocidades do regime e medo do que poderá acontecer, se o regime for derrotado.

Numa terra antiga como a Síria, não se podem analisar os problemas do presente sem reflectir sobre o que aconteceu no passado. Afinal, a história é sempre a mãe do presente e a geografia é o progenitor.