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O Vietname e o dilema da nova riqueza

HANÓI – Cinco dias antes de o presidente dos EUA, Donald Trump, e do líder norte-coreano, Kim Jong-un, se reunirem em Hanói para a sua segunda cimeira, dois antigos ministros vietnamitas das comunicações foram detidos e acusados de “infracções relacionadas com a gestão e a utilização de capitais públicos”. Alegadamente, os dois responsáveis aprovaram a compra, pela empresa estatal de telecomunicações, de um operador privado de televisão por mais de quatro vezes o seu valor estimado, com uma perda para o estado no valor aproximado de 307 milhões de dólares.

De forma semelhante, há poucos meses, dois vice-ministros da polícia, um ministro dos transportes e um antigo presidente da empresa petrolífera estatal foram levados a tribunal por acusações de venderem propriedades estatais a empresas privadas abaixo do seu valor. Conjuntamente, estes casos são sintomas de um elevado nível de captura do estado – uma forma de corrupção, frequente nos países do antigo bloco soviético, em que intervenientes privados poderosos usam infiltrados para conseguirem o controlo de instituições e bens públicos.

Tal como a Coreia do Norte, o Vietname começou a abrir a sua economia, mas permitindo pouca ou nenhuma propriedade privada. Porém, três décadas depois, o Vietname – como muitos países em desenvolvimento – não está imune aos efeitos negativos das elites extractivas. Existem provas da influência indevida de empresas privadas poderosas sobre as políticas internas. Segundo um comentário no Diário do Povo do antigo presidente vietnamita Trương Tấn Sang, a corrupção é hoje pior do que em qualquer outro momento nos 70 anos de história do Partido Comunista do Vietname. “Há colaboração entre os que detêm o poder e os capitalistas, para abusar das políticas estatais”, escreveu. “Combinam negócios que beneficiam grandemente algumas pessoas e grupos, mas que causam danos imensuráveis ao orçamento do estado e que perturbam a economia”.

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