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O dilema da dívida da Ucrânia

CAMBRIDGE – A insegurança está a assombrar a Ucrânia - e não apenas a insegurança geopolítica, mas também a insegurança económica. A produção está em queda livre. O défice externo do país está a explodir e os custos de empréstimos solicitados subiram em flecha precisamente à medida que o financiamento se tornou imperativo.

O Fundo Monetário Internacional reconheceu o perigo, aprovando um empréstimo de 17 mil milhões de dólares em Abril, para estabilizar a economia e evitar o não cumprimento. Mas o Fundo foi excessivamente optimista em relação às perspectivas da Ucrânia e à sua capacidade para preencher a lacuna no financiamento. Agora, é claro que 17 mil milhões de dólares não serão suficientes.

O FMI tinha esperança de que as tensões com a Rússia iriam aliviar, permitindo que outros credores se aproximassem. Em vez disso, continuar o conflito complicou as avaliações de risco e restringiu o acesso de Kiev para o financiamento externo, aumentando as probabilidades de um não cumprimento da dívida sem interrupções.

Em circunstâncias normais, haveria poucos motivos para preocupações. Até ao ano passado, a dívida do governo era inferior a 40% do PIB. Ainda assim, por razões compreensíveis, poucos investidores estão dispostos em emprestar mais dinheiro à Ucrânia.