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Deixar o Afeganistão?

NOVA DELI – Após ser reeleito, o Presidente Barack Obama proferiu um discurso de vitória em Chicago, perante uma multidão extasiada, afirmando que o "conflito de uma década" dos EUA no Afeganistão iria agora terminar. Esta afirmação foi acolhida com um aplauso prolongado - o que é compreensível. Na verdade, esta guerra insensata - iniciada com base numa resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas - arrasta-se há 11 anos, o que a torna na mais longa guerra da história americana.

No início, o objectivo desta guerra era eliminar a Al-Qaeda, derrotar os Taliban e transformar o Afeganistão num país que, de certa forma, se assemelhasse a um Estado-nação de estilo ocidental. Dado que nenhum desses objectivos foi plenamente alcançado, a intervenção dos Estados Unidos - tal como todas as outras intervenções na história do Afeganistão - está a terminar de forma insatisfatória.

Quando o pano cair, dois aspectos terão grande influência sobre o processo de retirada e o resultado final. O primeiro tem a ver com a gestão da transição para o controle afegão, que depende de uma retirada ordeira das forças americanas e da OTAN, em 2014. O segundo refere-se à eleição, também em 2014, de um novo presidente afegão – é necessário que este processo permita aos Estados Unidos e aos seus aliados da NATO afirmar de forma plausível que estão a entregar o país a um governo legítimo.

Para o Afeganistão, devastado por uma situação de guerra sem tréguas desde a "Revolução de Saur" de 1978, este jogo final será ainda mais desgastante. Com a retirada das tropas norte-americanas, o país entrará noutro período de incerteza política e estratégica, após quase meio século de desordem e guerra civil.