stiglitz261_Drew AngererGetty Images_trump jerome powell Drew Angerer/Getty Images

A economia dos défices de Trump

NOVA IORQUE – No novo mundo forjado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, onde um choque é seguido de outro, nunca há tempo para refletir completamente sobre as implicações dos eventos com os quais somos bombardeados. No final de julho, o Conselho da Reserva Federal reverteu a sua política de fazer voltar as taxas de juro para níveis mais normais, após uma década de taxas ultrabaixas no rescaldo da Grande Recessão. Depois, os Estados Unidos tiveram mais dois tiroteios mortíferos em massa em menos de 24 horas, elevando o total anual para 255 - mais de um por dia. E uma guerra comercial com a China, que Trump tuitou que seria “boa e fácil de ganhar”, deu início a uma nova fase, mais perigosa, que abalou os mercados e colocou a ameaça de uma nova guerra fria.

A um certo nível, a manobra da Fed foi de pouca importância: uma mudança de 25 pontos básicos terá poucas consequências. A ideia de que a Fed poderia ajustar a economia através de mudanças cuidadosamente cronometradas nas taxas de juro deveria ter sido há muito tempo desacreditada - mesmo que proporcione entretenimento para os observadores da Fed e empregos aos jornalistas financeiros. Se a redução das taxas de juro de 5,25% para basicamente zero teve pouco impacto sobre a economia em 2008-2009, porque é que deveríamos pensar que reduzir as taxas em 0,25% terá algum efeito visível? As grandes empresas ainda estão apoiadas em quantias de dinheiro acumulado: não é uma falta de liquidez que as impede de investir.

Há muito tempo, John Maynard Keynes reconheceu que, embora um aperto súbito da política monetária, restringindo a disponibilidade de crédito, pudesse desacelerar a economia, os efeitos da flexibilização da política quando a economia está fraca podem ser mínimos. Até mesmo a utilização de novos instrumentos, como a flexibilização quantitativa, pode ter pouco efeito, tal como a Europa aprendeu. De facto, as taxas de juro negativas que estão a ser testadas por vários países podem, perversamente, enfraquecer a economia como resultado de efeitos desfavoráveis nos balanços bancários e, consequentemente, no crédito.

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