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O que a economia americana necessita de Trump

NOVA IORQUE – A vitória impressionante de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos tornou algo muito claro: que muitos americanos (especialmente, americanos brancos do sexo masculino) se sentem deixados para trás. Não é apenas um sentimento: muitos americanos foram verdadeiramente deixados para trás. Isto pode ser tão facilmente confirmado pelos dados económicos como pela sua raiva. E, como já defendi várias vezes, um sistema económico que não satisfaça grandes grupos da população é um sistema económico falhado. O que deverá fazer o presidente eleito Trump quanto a isto?

Durante o último terço de século, as regras do sistema económico americano foram reescritas de forma a servirem alguns no topo, prejudicando ao mesmo tempo a economia como um todo, e especialmente os 80% mais pobres. A ironia da vitória de Trump foi ter sido o Partido Republicano, que ele hoje lidera, quem insistiu na globalização extrema e quem combateu os enquadramentos políticos que teriam atenuado os traumas a ela associados. Mas a história tem importância: a China e a Índia estão hoje integradas na economia global. Além disso, a tecnologia evoluiu tão depressa que o número global de empregos na indústria está a diminuir.

A implicação disto é que não existe maneira para que Trump possa devolver aos EUA um número significativo de empregos bem pagos na indústria. Poderá devolver a indústria, com tecnologias industriais avançadas, mas com poucos empregos. E poderá trazer de volta os empregos, mas serão empregos com baixos salários, e não os empregos com elevadas remunerações da década de 1950.

Se Trump estiver a falar a sério sobre o combate à desigualdade, terá de reescrever outra vez as regras, de maneira a que satisfaçam toda a sociedade, e não apenas pessoas como ele.