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Depois de Ahmadinejad

WASHINGTON, DC – O sucessor preferido pelo Presidente Iraniano Mahmoud Ahmadinejad, Esfandiar Rahim Mashai, não concorrerá na eleição de 14 de Junho. Nem o antigo Presidente Akbar Hashemi Rafsanjani. A desqualificação de ambos envia uma forte mensagem do Líder Supremo, o Aiatola Ali Hosseini Khamenei. Dito de uma forma simples, Khamenei não tolerará qualquer diminuição do seu poder, e está decidido a evitar o tipo de fricção que caracterizou as suas relações com anteriores presidentes, especialmente com Ahmadinejad.

A desqualificação de Mashai e Rafsanjani revela, mais uma vez, o cisma incrustado no coração da estrutura política Iraniana pelo executivo dual do Líder Supremo e do Presidente. Quando Khamenei apoiou publicamente a controversa reeleição de Ahmadinejad em 2009, ninguém poderia prever as tensões sem precedentes que acabariam por emergir entre as duas principais autoridades do país.

Mas o apoio a Ahmadinejad revelou-se uma decisão onerosa para Khamenei – e para a República Islâmica. Em vez de se alinhar com Khamenei, como esperado, Ahmadinejad passou a promover uma agenda nacionalista e anti-clerical, na prática usando os recursos de Khamenei para desafiar a autoridade do líder supremo e para estabelecer a sua própria rede económica e esfera de influência.

Ao longo dos últimos quatro anos, Ahmadinejad tentou repetidamente minar o controlo dos religiosos no poder em decisões políticas e legislativas. Em 2011, tentou demitir Heider Moslehi, um aliado de Khamenei, da sua posição como chefe dos serviços de informação, mas foi rapidamente contrariado. Também reduziu os recursos canalizados para certas instituições religiosas, ajudou aqueles que pertenciam ao seu círculo a estabelecer bancos privados ao aligeirar a regulamentação, e desafiou a mais poderosa instituição económica e militar do Irão, o Exército de Guardiães da Revolução Islâmica (EGRI).