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Os Perigos da Profecia

BERKELEY – Nós, economistas ancorados na história económica e financeira, – e conscientes da história do pensamento económico relativo às crises financeiras e aos seus efeitos – temos motivos para estar orgulhosos das nossas análises nos últimos cinco anos. Entendemos para onde nos estávamos a dirigir, porque sabíamos onde tínhamos estado.

Em particular, entendemos que a subida rápida dos preços das casas, combinada com a extensão da alavancagem financeira, colocava perigos macroeconómicos. Reconhecemos que perdas provocadas pela especulação em activos detidos por instituições financeiras alavancadas causariam um voo de pânico para a segurança, e que a prevenção de uma depressão profunda requereria uma intervenção activa das entidades oficiais como prestamistas de último recurso.

Na verdade, entendemos que as curas monetaristas seriam provavelmente insuficientes; que os soberanos precisam de garantir a solvência uns dos outros; e que retirar apoios demasiado cedo implicaria perigos enormes. Soubemos que as tentativas prematuras para atingir o equilíbrio fiscal no longo prazo piorariam a crise no curto prazo – e seriam assim contraproducentes no longo prazo. E entendemos que enfrentávamos a ameaça de uma recuperação sem empregos, devido a factores cíclicos, e não a mudanças estruturais.

Em todos estes assuntos, os economistas conscientes da história tiveram razão. Aqueles que disseram que não haveria recessão, ou que a recuperação seria rápida, ou que os problemas reais da economia eram estruturais, ou que apoiar a economia produziria inflação (ou elevadas taxas de juro no curto prazo), ou que a austeridade fiscal imediata seria expansionista estavam errados. Não somente um pouco errados. Completamente errados.