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A Próxima Tarefa para os Novos Líderes da China

BEIJING – Numa viagem recente de estudo à China, organizada pelo Conselho Europeu para as Relações Externas, comecei por assumir que o maior desafio do país girava à volta da necessidade de promover o consumo interno, de modo a manter o rápido crescimento económico. No fim da viagem, emergira um complexo quadro de assertividade, incerteza, segurança e ansiedade Chinesas.

Embora iminente, o 18º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC) está envolto em mistério. Mesmo estando presumivelmente marcado para Outubro, as datas exactas permanecem desconhecidas, o mesmo acontecendo a muitos dos procedimentos internos e das discussões preparatórias.

Durante grande parte deste ano, parecia haver uma certeza na próxima transição de liderança: o novo secretário-geral do PCC seria Xi Jinping, um homem cuja visão política poderia ser explicada em bem menos de 30 segundos. Mas o misterioso desaparecimento de Xi, ao sumir da vista pública durante quase duas semanas em Setembro – depois de cancelar abruptamente reuniões com a Secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton e com o primeiro-ministro de Singapura (ocorrências raras para uma liderança tão obcecada com o protocolo como a Chinesa) – gerou mais especulação. Também alimentou preocupações sobre se uma liderança tão fechada poderia governar eficazmente a segunda maior economia do mundo.

Apesar da sua aparência exterior de determinação monolítica, a China está num estado de mudança, exibindo a sua confiança ao mesmo tempo que lida com fontes internas de insegurança. O seu inegável sucesso económico – embora estreitamente ligado ao da economia global – contrasta claramente com os sentimentos intensos de crise e insegurança que pairam no fundo.