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Estarão os EUA a perder a América Latina?

MADRID – Cada vez se ouve mais por todo o mundo que o poder dos EUA está em declínio. E na América Latina este facto parece mais verdadeiro do que em qualquer outro local. A região já não é considerada como o "quintal" dos Estados Unidos, ao contrário, não restam dúvidas de que o continente nunca esteve tão unido e independente. Mas esta perspectiva não consegue captar a verdadeira natureza da influência que os EUA têm na América Latina, ou em outros locais.

É certo que a atenção que os EUA dedicam à América Latina tem vindo a diminuir nos últimos anos. O presidente George W. Bush estava mais focado na sua "guerra global contra o terrorismo". O seu sucessor, Barack Obama, também não parecia dedicar muita atenção à região, pelo menos durante o seu primeiro mandato.

Na verdade, aquando da Cimeira das Américas, que teve lugar em Cartagena, em Abril de 2012, os líderes latino-americanos sentiram-se suficientemente confiantes e uniram-se para desafiar as prioridades dos Estados Unidos na região. Apelaram aos EUA para que levantassem o embargo a Cuba, alegando que este tinha prejudicado as relações com o resto do continente, e para que envidassem mais esforços para combater o uso de drogas no seu próprio território, através da educação e do trabalho social, ao invés de fornecerem armas para combater os barões da droga na América Latina - uma batalha reconhecida por todos como um fracasso absoluto.

Também é verdade que os países latino-americanos expandiram enormemente os laços económicos além da influência dos Estados Unidos. A China é actualmente o segundo maior parceiro comercial da América Latina e está a reduzir rapidamente a distância que a separa dos EUA. A Índia revela um grande interesse na indústria energética da região e assinou acordos de exportação referentes ao sector da defesa. O Irão fortaleceu os seus laços económicos e militares, especialmente na Venezuela.