Paul Lachine

Ame o banco, odeie o banqueiro

NOVA DELI – O discurso público raramente é matizado. A duração da atenção do público é curta e as subtilezas têm tendência a confundir. É preferível adoptar uma posição clara, embora incorrecta, para que pelo menos a mensagem chegue ao destinatário. Quanto mais trapaceiro e estridente for o discurso, mais hipóteses tem de captar a atenção do público, de ser repetido e de enquadrar os termos do debate.

Vejamos, por exemplo, o debate sobre a regulação bancária. Os banqueiros são hoje extremamente insultados. Mas a actividade bancária também é mistificadora. Assim, qualquer crítico que tenha o peso intelectual para dissipar a cortina de fumo que os banqueiros têm lançado em torno dos seus negócios e que consiga retratar os banqueiros como incompetentes e malevolentes, encontra um público disponível. A mensagem dos críticos - de que os bancos precisam de ser reduzidos à sua insignificância - ressoa por todo o lado.

Os banqueiros podem, naturalmente, ignorar as suas críticas, e o público, e usar o seu dinheiro para exercerem pressão nos meios certos de forma a manterem os seus privilégios. Mas, de vez em quando, um banqueiro, cansado de ser retratado como um intrujão, ataca violentamente. Ele (normalmente é um homem) avisa o público de que até mesmo as regulações mais moderadas, aplicadas nos bancos, irão trazer o fim da civilização do modo como a conhecemos. E assim a estridência continua, sem a sensatez do público.

To continue reading, please log in or enter your email address.

Registration is quick and easy and requires only your email address. If you already have an account with us, please log in. Or subscribe now for unlimited access.

required

Log in

http://prosyn.org/7GPoawn/pt;