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Paz europeia para Israel?

MADRID – Enquanto os acontecimentos que se desenrolam no Médio Oriente captam a atenção mundial, os numerosos desafios que Israel enfrenta são largamente ignorados. Na verdade, Israel está a enfrentar um dos períodos mais perigosos da sua existência. Não são só as preocupações de longa data, como a ameaça de um Irão com armas nucleares que continua por resolver; agora, todos os vizinhos de Israel ou estão encurralados pela agitação ou lançam-se violentamente em direcção a ela. E, apesar de as conversações de paz com a Palestina, mediadas pelos Estados Unidos, terem recomeçado, elas são propensas ao fracasso.

Mas há um desenvolvimento promissor: a União Europeia, através de uma demonstração atípica de coragem, emitiu directrizes escritas a proibir a cooperação com empresas israelitas que operam na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Esta jogada ousada poderia pressagiar uma mudança dos papéis para a UE, no sentido de arranjar uma resolução há muito esperada para o conflito entre Israel e a Palestina.

Tal resultado poderia não chegar rapidamente, tendo em conta principalmente o caos sem precedentes que se vive nas fronteiras de Israel. No Egipto, o ambiente tenso e polarizado que se respira, após a destituição do Presidente Mohamed Morsi através do golpe militar, criou a possibilidade real de um conflito civil. Embora Israel tenha estado inicialmente apreensivo em relação a um governo islâmico na sua fronteira do Sinai, o valor da Irmandade Muçulmana – a sua capacidade de influenciar o Hamas, a força política dominante na Faixa de Gaza – manifestou-se rapidamente. Resta ainda saber qual é a natureza e a postura do novo regime militar.

Entretanto, a guerra civil na Síria começou a alastrar-se para os Montes Golã de Israel. A introdução de armas químicas e a possibilidade de uma intervenção militar ocidental ameaçam arrastar Israel directamente para o conflito. As repercussões do derramamento da crise síria também perturbou o Líbano, exemplificado na recente onda de violência sectária, e ameaçam desestabilizar a Jordânia, que se debate com o fardo de mais de 500 mil refugiados sírios.