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Mas qual comunidade internacional?

NOVA IORQUE – Sempre que algo de mau acontece – o Irão estar mais perto de adquirir armas nucleares, o disparo de outro míssil por parte da Coreia do Norte, as mortes de civis a atingirem outro marco terrível na guerra civil da Síria, os satélites a revelarem uma alarmante taxa de gelo polar a derreter – algum representante ou observador recorrerá à comunidade internacional para agir. Há apenas um problema: não há nenhuma “comunidade internacional”.

Parte da razão deriva da ausência de qualquer mecanismo para “o mundo” se unir. A Assembleia Geral das Nações Unidas aproxima-se mais, mas não se pode esperar muito de uma organização que equipara os Estados Unidos ou a China com, digamos, as Fiji ou a Guiné-Bissau.

Para ser justo, quem fundou a ONU, depois da Segunda Guerra Mundial, criou o Conselho de Segurança como o ponto de encontro no qual as grandes potências se iriam reunir para determinarem o destino do mundo. Mas até isso não funcionou como estava planeado, em parte porque o mundo de 2013 tem poucas semelhanças com o de 1945. De que outra forma se poderia explicar que a Grã-Bretanha e a França, mas não a Alemanha, o Japão ou a Índia, sejam membros permanentes com poder de veto?

Infelizmente, não há nenhum acordo sobre como actualizar o Conselho de Segurança. Os esforços como o G-20 são bem-vindos, mas falta-lhes autoridade e capacidade, além de padecerem de uma dimensão excessiva. O resultado é o “dilema do multilateralismo”: a inclusão de mais actores aumenta a legitimidade de uma organização, em detrimento da sua utilidade.