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A Ásia e a sombra do Médio Oriente

TELAVIVE – Em 2010, a então Secretária de Estado, Hillary Clinton, anunciou que estratégia global norte-americana se voltaria para Leste. O “pivô” dos Estados Unidos para a região da Ásia-Pacífico tornou-se necessário devido, não só às ameaças à segurança que a ascensão da China representava, mas também em resultado da dispendiosa obsessão de longa data dos EUA em relação ao Médio Oriente.

Desde há muito que os EUA se vêem confrontados com enormes desafios colocados pelo Médio Oriente que, em última instância superou as capacidades imperiais dos Estados Unidos e enfraqueceu o apoio público. Agora, porém, a verdadeira questão consiste em saber se os Estados Unidos ainda conseguirão e estarão dispostos a assegurar as suas pretensões a nível global. Afinal de contas, a Ásia não é um palco menos exigente do que o Médio Oriente. Na verdade, o trabalho naquela região poderá exigir a conciliação do pivô para a Ásia com uma presença permanente no Médio Oriente, nem que seja pelo facto de ambas as regiões terem muito em comum.

Para começar, numa região onde abundam os conflitos territoriais e rivalidades antigas, que são tão amargos quanto os conflitos israelo-árabes, os EUA enfrentam uma conjuntura geopolítica que não dispõe de uma arquitectura de segurança, nem de um mecanismo consensual de resolução de conflitos. A divisão da Península Coreana, o conflito entre a Índia e o Paquistão em torno de Caxemira e a questão de Taiwan (que, em 2020, de acordo com um estudo realizado em 2009 pela organização RAND Corporation, os EUA já não serão capazes de defender de um ataque chinês,) parecem ser tão difíceis de resolver quanto o conflito israelo-palestiniano.

Além disso, tal como o Médio Oriente, a Ásia é palco de uma descontrolada corrida ao armamento, que inclui armas com capacidades convencionais e armas de destruição em massa. Quatro das dez maiores forças militares do mundo estão na Ásia e cinco países asiáticos são potências nucleares plenas.