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Chegar ao Sim com Putin

PARIS – No confronto com a Rússia sobre a Ucrânia, as fraquezas e divisões da política europeia foram tão encorajadoras para o Presidente russo, Vladimir Putin, quanto foi a para a Síria a abordagem indecisa dos EUA. Se a Europa pretende agir de forma responsável, três conceitos-chave deverão definir a sua política em relação à Rússia: firmeza, clareza, e vontade de encontrar um compromisso aceitável.

Sem firmeza, nada é possível. É certo que a Europa e os EUA cometeram erros no período que se seguiu ao colapso da União Soviética. Os EUA, em especial, podem ser acusados de agir de forma arrogante e de humilhar desnecessariamente a Rússia. Mas o desaparecimento da União Soviética foi o resultado de uma longa sequência de erros, começando pela incapacidade da Rússia pré-soviética em harmonizar-se com a modernidade. Os líderes russos pós-soviéticos ainda não abordaram estas lacunas.

Ao adoptar uma posição agressiva e revisionista, Putin cometeu um erro histórico e estratégico. O modelo de Putin deveria ter sido Pedro, o Grande. Deveria ter tido a ambição de vincular o futuro da Rússia ao da Europa. Em vez disso, Putin procurou inspiração em Nicolau I, o mais reaccionário dos czares da Rússia do século XIX.

Podemos comprovar o fracasso da política de Putin através da comparação da Rússia com a China. O fosso entre os dois países - no que diz respeito ao comportamento e às realizações de cada um - nunca foi tão acentuado. Na Cimeira do G20, realizada no corrente mês em Brisbane, a China desempenhou a sua parte com mestria, salientando a sua boa vontade, particularmente quanto à questão das alterações climáticas. A Rússia, por sua vez, pareceu estar auto-isolada - pateticamente auto-isolada, tendo em conta o impacto do seu isolamento na respectiva economia.