watkins26_EVA HAMBACHAFP via Getty Images_spring meetings imf EVA HAMBACH/AFP via Getty Images

Será a comunidade internacional ainda capaz de grandes feitos?

LONDRES – Quando o Secretário do Tesouro dos EUA, Henry Morgenthau, inaugurou a Conferência de Bretton Woods há quase 80 anos, lembrou aos delegados que os fracassos da cooperação internacional levaram à Grande Depressão, à divisão social e, em última análise, à guerra. “A prosperidade, como a paz, é indivisível”, concluiu; “não nos podemos dar ao luxo de a ter espalhada aqui ou ali entre os mais afortunados… A pobreza, onde quer que exista, ameaça-nos a todos”.

Essa mensagem ressoa pelos tempos. Enfrentamos mais uma vez desafios globais que só podem ser ultrapassados através da cooperação internacional. Grandes faixas do mundo em desenvolvimento estão a ser excluídas da prosperidade global. A pobreza extrema está a subir. Benefícios duramente conquistados na saúde, na educação e na nutrição estão sob ameaça. As desigualdades económicas, já obscenas, entre e dentro de países estão a aumentar. A janela de oportunidade para evitar uma catástrofe climática está prestes a fechar-se. Contudo, a cooperação multilateral está paralisada pela complacência, por rivalidades mesquinhas e pelo nacionalismo fechado sobre si mesmo.

Vejam-se as reuniões de Primavera deste ano do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que proporcionaram uma oportunidade para mobilizar o financiamento necessário a impedir reversões generalizadas dos avanços no sentido dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de 2030. Em vez disso, os governos ocidentais e o G20 chegaram sem agendas partilhadas, passaram uma semana a trocar chavões, e deixaram o mundo com um conjunto de declarações vagas e incoerentes.

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