14

O Mito da Especialização

CAMBRIDGE – Algumas ideias são intuitivas. Outras parecem tão óbvias depois de serem expressas que é difícil negar a sua verdade. São poderosas, porque têm muitas implicações não-óbvias. Colocam-nos num quadro mental diferente quando olhamos para o mundo e decidimos como agir sobre ele.

Uma dessas ideias é a noção de que as cidades, regiões, e países se deveriam especializar. Como não podem ser bons em tudo, devem concentrar-se no que fazem melhor – isto é, nas suas vantagens comparativas. Deveriam fazer algumas coisas muito bem e trocá-las por outros bens que se fazem melhor noutros sítios, explorando assim os ganhos do comércio.

Mas, embora algumas ideias sejam intuitivas ou óbvias, podem também ser erradas e perigosas. Como é normalmente o caso, não é o que não se sabe, mas o que erradamente se pensa saber, que nos prejudica. E a ideia de que as cidades e países acabam por seespecializar, e que por isso se deveriam especializar, é uma destas ideias muito erradas e perigosas.

Quando uma ideia é ao mesmo tempo intuitivamente verdadeira e realmente falsa, isso acontece muitas vezes porque é verdadeira num nível, mas não no nível em que está a ser aplicada. Sim, as pessoas especializam-se, e deveriam especializar-se, também. Todos beneficiam se cada um de nós se tornar bom em coisas diferentes e de trocar o nosso conhecimento com os outros. Não é eficiente para um dentista e um advogado, por exemplo, serem a mesma pessoa.