aboujaoude1_ALFREDO ESTRELLAAFP via Getty Images_solarpanelworkers Alfredo Estrella/AFP via Getty Images

Uma transição justa para no pós-pandemia

LONDRES – Vai demorar até que tenhamos uma perspectiva completa das consequências económicas da pandemia da COVID-19. Mas alguns dos custos já são visíveis, a começar pela devastação que a crise provocará na mão-de-obra global. Com as alterações climáticas também a ameaçar prejudicar os trabalhadores mais vulneráveis do mundo, a necessidade de uma resposta holística à crise que dê simultaneamente ênfase à justiça e à sustentabilidade não poderia ser maior.

Os números contam uma história macabra. A Organização Mundial do Trabalho avisa que 1,6 mil milhões de trabalhadores na economia informal – quase metade da mão-de-obra global – estão em “perigo imediato de perderem o seu sustento”. A União Africana informa que, só em África, estão em risco perto de 20 milhões de empregos, tanto no sector formal como no informal. Nos Estados Unidos, o New York Timesestima que, apesar da propalada taxa de desemprego de 13,3% (já por si superior à verificada em qualquer recessão anterior no pós-guerra), o desemprego real estará mais perto dos 27%.

Claramente, os governos têm de agir para proteger os trabalhadores do choque da COVID-19. Mas para que estes esforços posicionem as economias (e os seus trabalhadores) numa posição fortalecida depois de passada a crise actual, também terão de contribuir para as metas previstas no acordo de Paris sobre o clima celebrado em 2015, nomeadamente para a visão de “transição justa” que o mesmo expressa. Isto significa não só proceder à transição para modelos de desenvolvimento sustentáveis, mas também salvaguardar os direitos e os sustentos dos trabalhadores durante esse processo.

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