7

Nacionalismo e terrorismo

BOSTON – O 11 de Setembro de 2001, pode – pelo menos no início – parecer uma adição inadequada à história do nacionalismo, dadas as pretensões mundiais, explicitamente declaradas, da Al-Qaeda. Na verdade, agora que o choque e a confusão iniciais deram lugar a uma perspectiva mais sóbria, os ataques terroristas daquele dia horrível são vistos cada vez mais -como deveriam ser – como um entre vários outros marcos nacionalistas.

Nesta perspectiva, os ataques já não parecem, como pareciam imediatamente depois dos ataques, reflectir uma mentalidade incompreensível, irracional e não civilizada; ou uma civilização completamente diferente – pré-moderna, ignorante e profundamente “tradicional” (por outras palavras, pouco desenvolvida). É neste sentido pouco lisonjeiro que se dizia que o Islão, a religião que domina uma parte do mundo atrasado economicamente, tinha motivado os ataques de 11 de Setembro de 2001. E, por causa daqueles que acreditavam que isto (praticamente todos aqueles cujas vozes foram ouvidas) tinha distinguido tardiamente a sua conotação insultuosa, discutir o assunto tem causado uma angústia considerável desde então.

Não existem eufemismos que possam insinuar, inofensivamente, que uma das grandes religiões do mundo seja uma ideologia assassina, irracional, inaceitável para o homem moderno e civilizado. E, no entanto, duas diferentes administrações norte-americanas têm insinuado – e agido constantemente de acordo – com esta suposição.

Mas, a partir do momento em que inserimos a tragédia de 11 de Setembro de 2001, e o principal fenómeno político do terrorismo internacional, no contexto de outras tragédias históricas do século passado, a religião torna-se uma explicação pouco provável. É aqui que a influência do nacionalismo se torna óbvia.