Dean Rohrer

Justiça à base de tomate

NOVA IORQUE – O último hambúrguer que comeu, da categoria fast-food, pode ter-lhe custado uma ninharia. Mas o que é que a rodela de tomate sobre aquele hambúrguer custou ao trabalhador que permitiu que ela chegasse lá? Em quase todos os lugares do mundo - inclusive nos Estados Unidos - o custo pode ser surpreendentemente elevado.

Os salários horríveis são apenas a ponta do iceberg. Na Florida, os apanhadores de tomate ganham uma média de apenas 50 cêntimos de dólar por cada balde de 32 libras (14,5 quilogramas). Um trabalhador que apanhe tomate todos os dias - um trabalho árduo que começa antes do amanhecer - tem a sorte de ganhar 10,500 dólares por ano, colocando-o abaixo da linha de pobreza.

Depois, há as violações alarmantes dos direitos humanos. No México, as autoridades libertaram recentemente quase 300 pessoas, incluindo 39 adolescentes, que eram “mantidos como escravos num campo onde os tomates são seleccionados e embalados para exportação”. As autoridades federais dos Estados Unidos apelidaram os campos de tomate da Florida de “ground zero para a escravatura dos tempos modernos”. Os abusos dos trabalhadores agrícolas, à custa dos interesses das agroindústrias, têm sido graves e sistemáticos.

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