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O MNA em Teerão

NOVA DELI - Actualmente, o Movimento dos Países Não-Alinhados (MNA) já não é propriamente um movimento. Com o fim da Guerra Fria, o movimento foi fragmentado num agrupamento bastante mais heterodoxo, cuja abrangência dos seus membros vai desde os regimes de esquerda, como Cuba, Coreia do Norte e Venezuela, às monarquias conservadoras (Arábia Saudita, Bahrein, Qatar) do Golfo Pérsico. Por isso, não é de admirar que a cacofonia ideológica tenha diluído bastante a ideia que motivou a formação do grupo, que era a de evitar o envolvimento nas disputas das superpotências mundiais.

Assim, actualmente o MNA é um grupo em busca de um objectivo e de um princípio. Aparentemente, o seu único conforto é o facto de ainda não ter desaparecido.

Mas, apesar do seu reduzido estatuto, a cimeira do MNA, que teve lugar recentemente em Teerão, conseguiu despertar a atenção do mundo. Alguns membros questionaram sobre a razão de se realizar a cimeira em Teerão. No entanto, estas interpelações apenas foram levantadas por aqueles que ainda vêm o grupo como uma forma de fazer finca-pé às superpotências. A resposta - "Por que não em Teerão?" – causou mais irritação do que tranquilidade.

O diferendo sobre a pertinência de se realizar a cimeira na capital do Irão reavivou o debate de fundo sobre o significado que a expressão "não-alinhados" tem no mundo pós-Guerra Fria. Para quê manter viva uma construção anacrónica deste tipo, quando o mundo já não está friamente dividido em dois blocos ideologicamente antagónicos? Além disso, com a proliferação de parcerias estratégicas que reivindicam muitos membros do MNA (a Índia, por exemplo, tem parcerias estratégicas com os Estados Unidos, com o Japão e com o Brasil), serão os não-alinhados de facto ainda não-alinhados?