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Confrontar o papão fiscal

BERKELEY – A economia mundial está a afundar-se visivelmente, e os decisores políticos que deveriam ser os seus timoneiros estão a enredar-se cada vez mais. Ou assim sugerem os resultados da cimeira do G-20 realizada em Xangai no fim do mês passado.

O Fundo Monetário Internacional, que acabou de rever em baixa a sua previsão para o crescimento global, avisou os participantes reunidos do G-20 que estava pendente uma nova revisão em baixa. Apesar disso, tudo o que emergiu da reunião foi uma declaração anódina sobre prosseguir reformas estruturais e evitar políticas proteccionistas (NdT: beggar-thy-neighbour).

Uma vez mais, a política monetária foi considerada (para usar uma frase já familiar) como a única saída possível (NdT: the only game in town). Os bancos centrais mantiveram as taxas de juro baixas durante quase oito anos. Fizeram experiências com a flexibilização quantitativa. Na sua mais recente contorção, moveram as taxas de juro reais para terreno negativo.

A motivação é sólida: alguém precisa de fazer algo para manter a economia mundial a flutuar, e os bancos centrais são os únicos agentes capazes de agir. O problema é que a política monetária está a aproximar-se da exaustão. Não parece que se possa reduzir muito mais as taxas de juro.