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Para além do massacre de Nairobi

NAIROBI – O Quénia deu um suspiro de alívio colectivo quando o cerco de quatro dias no centro comercial Westgate de Nairobi finalmente terminou. No entanto, as consequências do massacre estão em muitos aspectos a tornar-se tão dramáticas - e terríveis - como o próprio acontecimento em si.

A sofisticação da trama surpreendeu os investigadores. Os agressores - membros do grupo extremista islamista somali, al-Shabaab, - passaram semanas a explorar o local. Eles conheciam todas as saídas e todos os abrigos seguros e parece que alugaram uma loja onde colocaram com antecedência as munições, os explosivos e o armamento pesado. O modo como usaram a comunicação social foi um estudo de caso em virtuosismo digital.

Os agressores fizeram uma exigência clara: o Quénia tem de retirar as forças que colocou há dois anos, como parte de um esforço internacional para conduzir o movimento al-Shabaab para fora da Somália e devolver ao país o poder do governo e uma aparência de vida normal. O seu ataque, segundo eles, serviu principalmente como um aviso ao governo do Quénia: mudem a vossa política, senão... Os atacantes também protagonizaram uma grande cena ao dizerem ao mundo que tinham tido um cuidado especial para protegerem a vida dos irmãos muçulmanos durante o assalto.

Digam isso a uma colega aqui em Nairobi, que esteve presa no centro comercial, durante cinco horas, enquanto os tiros ecoavam por toda a parte. Ela saiu ilesa para vir a descobrir que dois membros da sua família estavam mortos e um terceiro estava ferido. O sobrevivente foi um menino de nove anos, baleado na anca. Como ele estava deitado a sangrar, os terroristas apontaram as suas armas para a sua mãe e a sua irmã de 15 anos de idade.