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A Próxima Crise de Merkel

BERLIM – Com a Europa atolada na crise financeira e com os seus governos nacionais a caírem ou a serem derrotados em eleições por todo o continente, a Alemanha tem parecido uma ilha de prosperidade e estabilidade. A Chanceler Angela Merkel apareceu como a corporização da nova força do filho problemático da velha Europa, um país admirado por uns e odiado por outros.

Mas isso foi o mês passado. Desde então, o presidente do país, Christian Wulff, que foi eleito com o apoio de Merkel, foi forçado a demitir-se, devido a erros que cometeu enquanto Ministro-Presidente da Baixa Saxónia. Adequadamente, a sua queda ocorreu no auge do carnaval Alemão: enquanto os Católicos no Oeste e no Sul da Alemanha celebravam, os Protestantes da Alemanha do Leste em Berlim consolidavam o seu domínio no poder. A Alemanha terá um pastor Protestante como o seu chefe de estado, para além de ser governada por uma filha de um pastor Protestante.

Isto é dificilmente uma questão para os Alemães normais, porque a religião não tem quase importância na vida pública Alemã (desde que a religião em questão não seja o Islão). Mas é um tema importante para o principal partido do governo na Alemanha, a União Democrata Cristã (CDU), e ainda mais para o seu partido-irmão da Baviera, a União Social Cristã (CSU).

Ambos os partidos são sucessores do Católico Partido do Centro Alemão, que lutou contra a predominância Protestante na Prússia e contra o Reich de Bismarck. Com o apoio das maiorias Católicas na Alemanha ocidental e meridional, a CDU e a CSU foram os partidos de governo tradicionais na República Federal Alemã do pós-guerra desde os dias de Konrad Adenauer. Espera-se descontentamento visível sobre a proeminência protestante no seio de ambos os partidos.