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Democracias descontentes

CIDADE DO MÉXICO – Em 2011 e em 2012, dezenas de milhares de estudantes manifestaram-se em Santiago, Chile, exigindo maior acesso ao ensino superior. No início deste ano, centenas de milhares de brasileiros marcharam nas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, apelando por uma melhoria nos serviços de saúde pública, melhores escolas e transportes públicos mais eficientes e mais económicos. E os colombianos e os peruanos de todas as camadas sociais (especialmente camponeses, proprietários de fazendas e mineiros), bem como os professores de escolas mexicanas, ocupam agora os centros de Bogotá, Lima e da Cidade do México, prejudicando a vida quotidiana dos habitantes e criando sérios problemas às autoridades.

Estes países, em tempos modelos de esperança económica e de promessa democrática na América Latina, tornaram-se exemplos de democracias sem legitimidade ou credibilidade. Apesar de terem feito progressos sociais significativos nos últimos anos, tornaram-se centros de agitação popular. E os seus Presidentes, apesar da sua inegável competência, estão a ver os seus índices de aprovação cair a pique.

Estes paradoxos são desconcertantes e reveladores. Para começar, eles reflectem um problema do crescimento económico. A economia do Chile teve um bom desempenho ao longo dos últimos dois anos, apesar dos preços baixos do cobre a nível mundial, mas a sua taxa de crescimento anual está muito longe de ser a mesma que teve nos 25 anos anteriores. O bálsamo económico aplicado nas feridas sociais e culturais antigas está a perder a sua eficácia.

Da mesma forma, apesar de a economia do Brasil se ter mantido relativamente resiliente após a recessão de 2009, o crescimento desacelerou até quase ao nível zero no ano passado. As taxas de crescimento no ano passado na Colômbia e até mesmo no Peru, que tem tido um desempenho melhor do que qualquer outro país latino-americano desde 2000, também caíram significativamente. E o México, com o pior desempenho das cinco economias ao longo dos últimos 15 anos, superou-se a si próprio; espera-se, este ano, que o crescimento deva chegar apenas ao 1%, se tanto.