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Os 50 Anos da Crise dos Mísseis de Cuba

CAMBRIDGE – Este mês assinala o 50º aniversário da Crise dos Mísseis de Cuba – esses 13 dias de Outubro de 1962 em que o mundo esteve provavelmente mais perto que nunca de uma guerra nuclear. O Presidente John F. Kennedy avisara publicamente a União Soviética para não instalar mísseis ofensivos em Cuba. Mas o líder Soviético Nikita Khrushchev decidiu ultrapassar sub-repticiamente a linha vermelha de Kennedy e confrontar os Americanos com um fait accompli (em francês no original – NdT). Quando um avião de vigilância Americano descobriu os mísseis, a crise eclodiu.

Alguns dos conselheiros de Kennedy encorajaram um ataque aéreo e uma invasão para destruir os mísseis. Kennedy mobilizou tropas, mas também ganhou tempo anunciando um bloqueio naval a Cuba. A crise terminou quando navios Soviéticos que transportavam mísseis adicionais voltaram para trás, e Khrushchev concordou em remover os mísseis existentes na ilha. Como o então Secretário de Estado dos EUA Dean Rusk afirmou: “Fitávamo-nos nos olhos, e penso que o outro tipo pestanejou.”

À primeira vista, este foi um desfecho racional e previsível. Os Estados Unidos tinham uma vantagem de 17 para 1 em armamento nuclear. Os Soviéticos foram simplesmente ultrapassados pelo poder de fogo.

E no entanto os EUA não atacaram preventivamente os locais de mísseis Soviéticos, que estavam relativamente vulneráveis, porque o risco de um ou dois mísseis Soviéticos serem disparados para uma cidade Americana era suficiente para dissuadir de um primeiro ataque. Adicionalmente, tanto Kennedy como Khrushchev temiam que as estratégias racionais e os cálculos cuidadosos pudessem ficar descontrolados. Khrushchev ofereceu uma metáfora garrida numa das suas cartas a Kennedy: “[Sr. Presidente,] Nós e vós não devíamos agora puxar as pontas da corda onde atastes o nó da guerra.”