10

A Miopia Vertical da Europa

MUNIQUE – O estadista Francês Georges Clemenceau fez uma declaração que ficou famosa: “Os generais travam sempre a última guerra”. Hoje, no rescaldo da crise do euro, o mesmo pode ser dito da União Europeia, ao procurar colocar-se numa posição institucional mais estável.

A UE está a sofrer mudanças fundamentais, muitas das quais passaram grandemente despercebidas, devido à enorme atenção nas reformas verticais de grande dimensão. Os funcionários parecem não reconhecer a mudança a não ser que esta tome a forma de Eurobonds, de novos tratados Europeus, ou de inversões políticas da Chanceler Alemã Angela Merkel. Mas os pequenos passos guiados por mecanismos de mercado têm um impacto forte.

A obsessão da Europa com as reformas verticais tem raízes nas análises prevalecentes sobre as causas da crise do euro. A maioria das pessoas na Alemanha, nos Países Baixos, e na Finlândia culpam os gastos públicos excessivos e a regulação desadequada em países como a Grécia, a Espanha e o Chipre pela desestabilização da zona euro e, por sua vez, da UE.

Uma análise ligeiramente mais diferenciada defende que o próprio euro é responsável pelos gastos problemáticos destes países. A política monetária uniformizada do Banco Central Europeu criou desequilíbrios desestabilizadores na zona euro. As taxas de juro estavam demasiado baixas na Europa do Sul, onde os governos e as famílias se empanturraram de empréstimos baratos, e possivelmente demasiado altas na Alemanha, que já se encontrava condicionada pelo fardo económico da reunificação.