26

O Mau Uso da Lei no Caso de Julian Assange

MADRID - O alvoroço em torno da concessão de asilo político por parte do Equador ao fundador da WikiLeaks, Julian Assange, encapotou  inconsistências enormes. Apenas através da sua análise poderemos entender o que está verdadeiramente em causa neste caso.

Para começar, um governo com um registro duvidoso em matéria de liberdade em geral e de liberdade de imprensa em particular, está a acenar a bandeira do Estado de direito e do respeito pela liberdade de expressão enquanto lança dúvidas sobre a Suécia, um país que lidera o mundo em termos do respeito das garantias processuais e do direito internacional.

E isto não é tudo. O chefe da equipa de advogados de Assange, Baltasar Garzón, tem sido um defensor fervoroso da interpretação mais restrita de asilo político, tendo obtido prestígio internacional com o êxito do pedido de extradição do ditador chileno Augusto Pinochet. Agora, porém, está a defender exactamente o oposto.

A rejeição da extradição de Assange para a Suécia, para ser interrogado sobre acusações de abuso sexual, tem por base a suposta interferência no caso por parte dos Estados Unidos. Mas tal interferência não se concretizou de forma alguma. Assim, enquanto o Equador acena a bandeira do anticolonialismo contra a Inglaterra, a conclusão que se retira é a de que Assange, Garzón e o presidente do Equador, Rafael Correa, estão simplesmente a jogar ao velho jogo de  “culpar a América" ​​para fugir a um Mandato de Detenção Europeu (MDE) regularmente emitido, aprovado pelo Supremo Tribunal do Reino Unido.