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Estagnação intencional

NOVA IORQUE – Logo após a eclosão da crise financeira global, em 2008, alertei para o facto de que se as políticas certas não fossem adoptadas, o mal-estar ao estilo japonês - crescimento lento e um rendimento quase estagnado para os próximos anos - poderia instalar-se. Embora os líderes de ambos os lados do Atlântico tenham alegado que tinham aprendido a lição com o Japão, prontamente começaram a repetir alguns dos mesmos erros. Agora, até mesmo um ex-representante crucial dos Estados Unidos, o economista Larry Summers, está a alertar sobre a estagnação secular.

A questão fundamental que levantei há meia década foi que, num sentido básico, a economia dos EUA já estava doente mesmo antes da crise: foi apenas uma “bolha” nos preços dos activos, criada através da regulação frouxa e das baixas taxas de juros, que fez com que a economia parecesse robusta. Por baixo das aparências, vários problemas estavam a apodrecer: a crescente desigualdade; uma necessidade não atendida para a reforma estrutural (que passava de uma economia baseada na indústria para uma baseada nos serviços e que se adaptava às vantagens comparativas globais em mudança); os desequilíbrios globais persistentes; e um sistema financeiro mais habituado com a especulação do que com a realização de investimentos que poderiam criar postos de trabalho, aumentar a produtividade e transferir excedentes para maximizar retornos sociais.

A reacção dos governantes à crise não conseguiu resolver estas questões; pior, agravou algumas delas e criou outras novas - e não apenas nos EUA. O resultado foi o aumento do endividamento em muitos países, à medida que o colapso do PIB enfraquecia os rendimentos do governo. Além disso, a falta de investimento, tanto no sector público como no sector privado criou uma geração de jovens que passou anos inactiva e cada vez mais alienada, numa altura da sua vida em que deveria ter refinado as suas competências e aumentar a sua produtividade.

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