A actuação da Europa na Tragédia da Ucrânia

BERLIM – As grandes estratégias políticas e a experiência do dia-a-dia têm habitualmente bastante em comum. Se experimentar, por exemplo, engolir um salame inteiro, irá com certeza morrer por asfixia. No mundo da alta política, os comportamentos são diferentes: o salame é cortado em fatias antes de ser consumido. Se não for possível concretizar imediatamente um objectivo, a abordagem será feita de forma paciente, passo a passo.

Actualmente, o Kremlin está a adoptar essa “táctica do salame” relativamente à Ucrânia. Está a desenrolar-se perante os nossos olhos uma tragédia em vários actos, na qual tanto os actores como as suas intenções se apresentam de forma clara. O que não se sabe é quantos mais actos terá ainda este espectáculo político lamentável e, por conseguinte, quando – e de que forma – irá terminar.

O primeiro acto teve início no Outono de 2013, quando o então Presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, enganou a União Europeia e os seus líderes ao recusar assinar o acordo de associação há muito planeado. Em vez disso, optou por criar uma união aduaneira entre a Ucrânia e a Rússia, a troco de um montão de dinheiro e de petróleo e gás natural baratos. O presidente russo, Vladimir Putin, parece ter alcançado o seu objectivo político, nomeadamente o de fazer com que a Ucrânia, que se inclinara para a Europa durante o período pós-soviético, voltasse a cair totalmente na esfera de influência do Kremlin.

To continue reading, please log in or enter your email address.

Registration is quick and easy and requires only your email address. If you already have an account with us, please log in. Or subscribe now for unlimited access.

required

Log in

http://prosyn.org/xIkgzLz/pt;